A tradicional Festa dos Americanos, anteriormente conhecida como Festa dos Confederados, voltou a ser realizada na próximo sábado (4), no Cemitério do Campo, em Santa Bárbara d’Oeste. A edição de 2026 coincidiu com a celebração dos 250 anos da Independência dos Estados Unidos e juntou visitantes no decurso do dia com programação voltada à música, gastronomia, apresentações culturais e ao resgate da memória dos antepassados.
Depois de seis anos sem ser realizada, primeiro em razão da pandemia e, subsequentemente, por um processo de reorganização da entidade responsável, a festa foi retomada em um formato menor. De acordo com a Fraternidade Descendência Americana, organizadora do acontecimento, a edição deste ano simboliza um recomeço, com a expectativa de crescimento gradual nos próximos anos.
Tradição ligada à imigração norte-americana
A Festa dos Americanos preserva a história dos imigrantes norte-americanos que chegaram à área de Santa Bárbara d’Oeste depois de a Guerra de Secessão, travada entre 1861 e 1865. Com a derrota dos Estados Confederados, centenas de famílias deixaram os Estados Unidos e migraram para o Brasil, onde receberam incentivos para desenvolver atividades agrícolas, dando origem à comunidade conhecida como “confederados”.
De acordo com a planejamento, que reúne descendentes de diversas partes do país, a festa também é um momento de reencontro familiar e preservação da memória histórica. Ao longo do evento, muitos visitantes aproveitam para conhecer mais sobre os antepassados e visitar os túmulos de familiares no Cemitério do Campo.
O local existe desde 1868, quando Beatrice Oliver foi sepultada através do marido, Asa Thompson Oliver, então dono das terras.
Mudança nas simbologias
A edição de 2026 foi marcada por uma mudança inédita na identidade visual do acontecimento. Desde a propaganda da festa, a planejamento deixou de usar a bandeira dos Estados Confederados da América, símbolo frequentemente associado ao racismo e à defesa da escravidão nos Estados Unidos. No lugar da bandeira confederada, passaram a ser usadas somente as bandeiras do Brasil e dos Estados Unidos.
“O uso da bandeira foi usurpado por movimentos que não condizem com a nossa filosofia, não condizem com as nossas regras e com o trabalho que nós fazemos. Então, para não sermos misturados com coisas que não condizem, nós preferimos trocar o símbolo”, explicou o Presidente da Fraternidade Descendência Americana, Rogério Seawright.
A decisão dividiu opiniões entre os que participam. Entre os visitantes esteve o deputado federal Paulo Bilynskyj (PL). Descendente de ucranianos, ele afirmou manter uma relação próxima com a comunidade americana e também comentou a retirada das simbologias adotada através da planejamento nesta edição.
“É ‘mimimi’, frescurada, como sempre. Sempre vai ter gente fresca no mundo […] É muito estúpido uma pessoa imaginar que uma bandeira está associada à escravatura. Uma bandeira está associada a uma população, e não a uma ideologia”, falou o deputado.
Acontecimento deve continuar crescendo
Mesmo com a mudança prevista para o final do ano na gestão da Fraternidade Descendência Americana, a expectativa da entidade é manter a realização anual da festa e retomar o crescimento do acontecimento.
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Com informações de Tododia


