Era manhã de sexta-feira, 8 de janeiro de 1982, quando as águas do Ribeirão Toledo tomaram conta de Santa Bárbara d’Oeste. Com a força das chuvas, mais de 50 famílias ficaram desabrigadas, aproximadamente 300 pessoas, em um começo de ano conturbado para os barbarenses que moravam no entorno.
Morador da Vila Conceição, Valter Rodrigues viu a história se repetir no começo da semana, quando Santa Bárbara teve de preparar um ginásio para receber desabrigados e viu o abastecimento de água e o retorno das aulas em escolas municipais e estaduais serem adiadas em razão do saldo das chuvas.
“No decorrer desses 40 anos sempre teve enchentes, um pouco menos, mas só agora aconteceu essa situação maior”, explicou à TV TODODIA, enquanto observava a limpeza da Rua Nazareno Voltaine, uma das mais atingidas no alagamento desta semana.
Naquele janeiro de 1982, os mesmos bairros atingidos foram invadidos, de surpresa, pelas águas.
“A população ribeirinha foi acordada de forma bastante lamentável na última sexta-feira, com a água penetrando em suas casas e, lá fora, o aspecto assustador. Não se podia prever a que altura a água atingiria e alguns moradores dos bairros atingidos (J. Conceição, Icaraí, V. Oliveira, V. Sartori e P. Olaria) começaram a providenciar suas mudanças”, trazia o já extinto Jornal D’Oeste, na edição de 13 de janeiro de 1982.
Na época, foram 65,5 milímetros de chuva responsáveis por sobrecarregar o volume das represas de Cillo e Santa Alice, a Represinha. Quando as comportas foram abertas, existe 42 anos, o Ribeirão dos Toledos subiu em torno de um metro, ampliando ainda mais a área de inundação. Números menores do que os registrados neste janeiro de 2025: 400 milímetros de água responsáveis por 1,7 metros, com a diferença que neste ano, as comportas das represas não foram abertas.
“É uma coisa terrível. Quando saí de casa na sexta-feira à noite, a água já alcançava mais de meio metro de altura”, comentou uma das moradoras da Vila Sartori logo depois de a enchente de 82 à reportagem do jornal Edição Barbarense. Conforme ela, a última grande inundação no local havia ocorrido 13 anos antes, em 1969.
Muito foi perdido com aquela tromba d’água: móveis, eletrodomésticos, danos de indústrias, pontes foram destruídas e construções ─ até mesmo de obras da prefeitura. Foram dois dias para que o nível do Ribeirão diminuísse, e muito trabalho para reconstrução por moradores e equipes da gestão daquele momento.
Em uma época com menos informação sobre os riscos da água poluída das enchentes ao corpo, crianças e jovens desfrutaram para brincar no ribeirão, fazendo com que a Prefeitura emitisse um apelo para que pais não permitissem que seus filhos se deslocassem até as regiões de inundação.
“Um outro pedido das autoridades é que os senhores pais não permitam que seus filhos se desloquem até as imediações das áreas inundadas, devido a grande velocidade das águas, o que poderia até trazer algum aborrecimento. Agindo dessa forma, estarão preservando a vida dos seus e colaborando para o bom andamento dos trabalhos no sentido de dar o atendimento devido às famílias atingidas”, diz um dos recortes da época.
Mesmo com o aviso, alguns optaram por ignorar. Com câmaras de ar e barquinhos, grupos passaram todo o final de semana brincando nas águas.
Duas enchentes no mesmo ano
Quando muitos acreditavam que estavam reconstruindo suas vidas, cinco meses depois de a primeira enchente, em 27 de junho de 1982, Santa Bárbara é atingida por mais chuva que causaram outra vez o transbordamento do Ribeirão dos Toledos, fazendo desabrigados outra vez e revoltando o povo.
Com as águas atingindo na maior parte o Jardim Conceição e a Vila Sartori, seis famílias ficaram desabrigadas, um saldo menor do que no começo do ano. “Estamos apreensivos dia e noite, pois se acontecer como em janeiro, não dá tempo de salvar muita coisa. A água sobe muito rápido e ainda durante a noite”, explicou uma moradora ao Jornal D’Oeste, em 30 de junho de 1982.
Na época, famílias reclamavam de falta de suporte. “É brincadeira isso. Ninguém fez nada. Novamente passamos por esse sufoco”, explicou uma outra moradora. A altura dessas chuvas chegou a 30 centímetros.
Assim como em 2025, circularam informações que de o transbordamento seria em razão da abertura das comportas da Represinha, mas os boatos eram falsos.
Existe 43 anos, Santa Bárbara sofria com uma das maiores enchentes que já atingiram o município
Com informações de Tododia


