Críticas sobre filas, falhas no atendimento e demora em cirurgias marcaram a audiência pública da Secretaria de Saúde realizada na próxima quarta (25) na Câmara Municipal de Santa Bárbara d’Oeste. Durante a reunião, vereadores e munícipes relataram problemas em unidades e no acesso a procedimentos, enquanto a Prefeitura apresentou ações previstas para tentar diminuir a demanda reprimida.
Entre as estratégias citadas fica o começo das atividades do Cismetro (Consórcio Intermunicipal de Saúde da Área Metropolitana de Campinas), previsto para março. O consórcio foi autorizado no mês de agosto de 2025 e tem como proposta ampliar o acesso a atendimentos especializados, exames e procedimentos de média e alta complexidade, com possibilidade de realização tanto em Santa Bárbara d’Oeste quanto em cidades que participam e clínicas credenciadas, com repasse financeiro conforme a execução dos serviços.
Vereadores apontam cirurgias e remédios
Entre os problemas levantados, vereadores citaram o longo momento de espera por cirurgias, a falta de remédios na farmácia municipal e demora em procedimentos, inclusive de catarata, conforme apontou o vereador Carlos Fontes (União Brasil).
O secretário municipal de Saúde, Marcus Pensuti, afirmou que o município cumpre o investimento mínimo constitucional de 15% na área e informou que aplica um percentual acima do exigido. Sobre cirurgias de joelho e catarata, ele explicou que são procedimentos de média e alta complexidade sob responsabilidade do Estado, mas falou que o município faz parte das cirurgias para diminuir a fila.
De acordo com o secretário, são feitas 60 cirurgias de catarata por mês, e 430 pessoas aguardam consulta com oftalmologista para confirmação da indicação cirúrgica. Pensuti declarou ainda que, com início de março, novas cirurgias precisam ser viabilizadas com recursos de emendas parlamentares recebidas no final do ano passado.
A falta de remédios foi confirmada por Pensuti, que atribuiu o problema a atrasos de fornecedores.
Relatos dos cidadãos citam demora e falta de medicação
Durante a audiência, Natalina Simões Vilalon relatou dificuldades para atendimento cardiológico do pai, de 94 anos, e afirmou que o idoso espera existe um ano através do retorno de consulta. “Toda vez que o meu pai precisa ser atendido, preciso ir presencialmente pedir. Faz um ano que ele está esperando o retorno”, falou.
Ela também mencionou problemas estruturais na unidade Afonso Ramos, registrados na terça-feira (24), como banheiro entupido e sanitário solto, que teria provocado a queda do pai.
Outra moradora, Sueli Julia, afirmou estar existe quatro meses sem medicação de alto custo. “É muita humilhação. Como fica quatro meses sem medicação? Eu estou pedindo socorro pela minha saúde”, declarou.
O secretário respondeu que o remédio citado é de responsabilidade do Estado e falou que existe falta em nível estadual, afirmando que a Secretaria Municipal auxilia no processo e faz a entrega quando existe disponibilidade.
Especialistas, exames e absenteísmo
O vereador Rony Tavares (Republicanos) indagou a ausência de endocrinologistas na rede desde 2025. O secretário confirmou que não existe o profissional e afirmou que não existe concurso aberto para a vaga; como alternativa, o atendimento tem sido feito por médicos da Atenção Básica, com previsão de suprir a demanda via Cismetro.
A situação da oncologia foi indagada através do vereador Wilson da Engenharia (União Brasil). O secretário afirmou que a área é de responsabilidade estadual e que os casos são dirigidos a centros de referência.
Sobre colonoscopia, Pensuti informou que o aparelho fica com peça danificada e sem reposição, e que pacientes estão sendo dirigidos ao AME de Santa Bárbara d’Oeste. Já o vereador Kifú (PL) indagou o absenteísmo na UBS Regional Zona Sul, que registrou 1.442 faltas de pacientes que confirmaram presença e não compareceram às consultas.
Frota de ambulâncias, transporte e Samu
A qualidade da frota de ambulâncias também foi debatida. De acordo com o secretário, a Prefeitura estuda a locação de veículos para renovar a frota, medida que depende de disponibilidade orçamentária.
O vereador Gustavo Bagnoli (PL) relatou dificuldades para pedir ambulância de transporte interno, como deslocamentos para consultas e curativos em UBS. O secretário afirmou que os pedidos precisam ser feitos no começo da manhã para planejamento do atendimento.
Sobre o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), a proposta apresentada é implantar um modelo regional em colaboração com quatro municípios, com apoio do Ministério da Saúde para envio de viaturas. Ainda não existe previsão de começo e, segundo o secretário, a prioridade no momento é o fortalecimento do transporte sanitário.
Audiência pública da Secretaria de Saúde na Câmara de Santa Bárbara aborda filas, falta de remédios e atrasos em cirurgias
Com informações de Tododia

