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Kunitsu-Gami: Path of the Goddess – Review

29 de Julho, 2024
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Kunitsu-Gami: Path of the Goddess – Review
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A Capcom sempre foi muito generosa com os amantes de cultura japonesa, produzindo vários jogos que não só nos ensinam mais sobre o folclore nipônico, como também são belíssimas obras de arte. Títulos como Okami e a franquia Onimusha marcaram a sexta geração de consoles – mas desde então, o estúdio pisou no freio e decidiu focar em outros estilos de games.

Felizmente, eles não se esqueceram desses grandes clássicos! Kunitsu-Gami: Path of the Goddess resgata essa essência mitológica do Japão em um título surpreendente, misturando vários elementos que, juntos, nos entregam um grande jogo. Para quem estava com saudade de ser um samurai em Onimusha ou de explorar o folclore japonês em Okami, este título certamente sairá melhor que a encomenda.

Missão de purificação

Em Kunitsu-Gami, controlamos um samurai misterioso chamado Soh – um ser criado diretamente por uma divindade que assume a forma de uma sacerdotisa. O jogo todo se passa na montanha Kafuku, um lugar que foi integralmente corrompido através da maculação dos coléricos, criaturas monstruosas inspiradas nos famosos yokais (espíritos do folclore japonês). Nosso objetivo é purificar cada vilarejo da montanha e eliminar por completo a presença maléfica da área.

O jogo mistura vários gêneros, trazendo um enfrentamento com ação frenética e alguns elementos de tower defense e RTS. O papel de Soh é resgatar os aldeões maculados dos vilarejos e designar funções para eles, para que assim consigam auxiliá-lo na missão de proteger a sacerdotisa. Toda fase é dividida em duas etapas, onde ao longo do dia preparamos nossas defesas e à noite enfrentamos hordas de coléricos.

O objetivo primordial de toda fase é fazer com que a sacerdotisa complete um trajeto até o portão Torii, onde será provável erradicar a maculação daquele território. Será necessário fazer isso duas vezes em cada vilarejo, sendo que cada um promove um desafio diferente. Apesar de parecer uma fórmula repetitiva, o jogo consegue sair um pouco da rotina e explorar formas variadas de aprofundar esta proposta.

A melhor parte certamente é o seu lado estratégico. Existem diversas classes disponíveis para os aldeões e vamos desbloqueando novas gradativamente. Cada tipo de guerreiro conta com uma especialidade bem específica, então é necessário pensar bem em como designar suas funções para conseguir proteger a sacerdotisa com eficiência.

Para designar funções e até mesmo traçar o trajeto da sacerdotisa, é necessário usar os cristais que avistmos pelas fases. Esse é um recurso consideravelmente limitado, então o jogo também exige uma grande gestão de suprimentos por parte do jogador. Não é provável preencher sua equipe apenas com as classes mais fortes, já que elas precisam de mais cristais que as outras; é preciso equilibrar bem as coisas para não passar sufoco!

Gestor de vilarejos

Uma vez que um vilarejo for purificado, os habitantes voltarão a viver lá de novo. Entre uma fase e outra, podemos designar mais ordens para essas pessoas, fazendo com que aos poucos sua vila seja reconstruída. Lugares renovados geram oferendas melhores e, dessa maneira, conseguimos determinar uma boa base de provisões para encarar os desafios que aguardam.

Kunitsu-Gami: Path of the Goddess tem uma dificuldade bem balanceada, que aumenta gradativamente conforme avançamos na campanha. Apesar disso, é inegável que a segunda metade do jogo não é brincadeira; explorar todas essas mecânicas é um passo fundamental para conseguir concluir sua jornada através da montanha Kafuku.

Quase todas as fases possuem batalhas contra chefes que, no geral, vão colocar todo o seu aprendizado à prova. Enquanto alguns confrontos são simples, outros serão osso duro de roer – inclusive na reta final, que exige grande maestria tanto no enfrentamento quanto no planejamento estratégico. No geral, é um jogo que nos estimula do começo ao final e consegue ser viciante no decurso de toda a sua extensão. Mal dá tempo de enjoar!

O enfrentamento é outro ponto forte do jogo. Soh domina a arte da “dança com a espada” e consegue trucidar qualquer inimigo com muita graciosidade. O personagem dispõe de um leque interessante de movimentos e ainda pode ser aprimorado através de upgrades e amuletos equipáveis. Não se esqueça que os aldeões estão ali somente para oferecer suporte – o trabalho sujo ainda se mantém nas suas mãos!

Meu único problema com a jogabilidade se limita à esquiva e ao uso do arco. Para desviar de um ataque, precisamos apertar o L3 – um comando que demorei para me acostumar por ser um botão pouco usado para esse propósito. Já a skill do arco atira de forma automática, sem a possibilidade de mirar ou organizar seus ataques. Até entendo que fazer essa mecânica prejudicaria o estilo da câmera e outros elementos, mas ainda assim, senti falta.

Os gráficos do jogo são bem bonitos e um tanto psicodélicos, abusando de uma palheta de cores fortes. Assim como Okami, Kunitsu-Gami é um deleite para os olhos, mas de um caminho integralmente diferente. A trilha musical vai no mesmo caminho, misturando músicas com predominância de tambores em um tom ritualístico, ao mesmo tempo que traz faixas que mesclam riffs de guitarra e ritmos de acid jazz.

Kunitsu-Gami: Path of the Goddess é um jogo muito melhor do que qualquer um de nós pode esperar. Fui positivamente surpreendido por ele em todos os aspectos: seja na mistura dos gêneros, no visual artístico e psicodélico ou até mesmo na diversão que todo esse conjunto proporciona. Chega a ser injusto compará-lo com outras obras “folclóricas” da Capcom, pois assim como suas maiores inspirações, ele também é único.  

Fonte: Portal do Nerd

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