Mães de alunos da Emefei (Escola Municipal de Ensino Fundamental e Educação Infantil) Anália de Lucca Furlan, no bairro Cruzeiro do Sul, em Santa Bárbara d’Oeste, perguntam a suspensão do transporte escolar para parte dos estudantes e relatam falta de diálogo da prefeitura sobre a mudança.
De acordo com os relatos, o serviço deixa de atender, com início do dia 22, crianças que moram a menos de 2 quilômetros da unidade, critério que, até então, não era aplicado na prática.
Reunião
Conforme as mães, a modificação foi comunicada durante uma reunião realizada na escola na segunda-feira (13). Na ocasião, os responsáveis foram avisados de que unicamente alunos que moram a mais de 2 quilômetros terão direito ao transporte.
Patrícia de França do Nascimento, mãe de uma estudante de oito anos, diz que a justificativa apresentada gerou questionamentos.
“Disseram que a empresa fez um levantamento e definiu quais pontos seriam atendidos. Falaram que agora querem aplicar a regra dos 2 km. Mas a empresa presta serviço para a prefeitura. Quem decide isso?”, questiona.
Dificuldades
As famílias relatam que, apesar de estarem dentro do limite definido, o deslocamento até a escola é difícil.
Em muitos casos, o trajeto ultrapassa 1 quilômetro a pé, com obstáculos como falta de asfalto, subidas íngremes e condições climáticas adversas.
“Para levar não é perto. Dá de 20 a 25 minutos andando, às vezes mais com criança. Ao meio-dia, o sol é muito forte. Quando chove, vira lama”, relata Andrea Silva de Queiroz.
A falta de segurança também preocupa. “A gente passa por morro, buraco e matagal. É perigoso. Se acontecer algo com uma criança, quem responde?”, questiona Erica Cristina Valentim Mendes.
Rotina afetada
A mudança impacta diretamente a planejamento das famílias, principalmente de quem trabalha ou não tem veículo.
Flávia Cavalcante afirma que enfrenta dificuldades adicionais por cuidar de dois filhos, um deles com diagnóstico de TEA (Transtorno do Espectro Autista) nível 3 de suporte, além de outro com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade).
“Já tenho uma rotina difícil. Agora preciso me preocupar com isso também. Não sabemos nem como vai funcionar. O ônibus vai passar e barrar a criança?”, relata.
Segundo ela, mães já registraram protocolo na prefeitura pedindo esclarecimentos.
Perguntas
Outro momento levantado pelas famílias é o fato de o transporte sempre ter sido concedido no bairro.
“Sempre teve transporte. Agora dizem que vai acabar de repente. Por quê?”, questiona uma das mães.
Existe também questionamentos sobre a motivação da mudança.
“Se não atendia a metragem, por que não cortaram antes? Será que é distância ou corte de verba?”, questiona Liliane de Souza Batista.
Histórico
Segundo relatos, situação semelhante ocorreu em 2025 em outra unidade do bairro, quando o transporte escolar foi interrompido e afetou ao menos 17 crianças.
Conforme as mães, parte dos alunos deixou de frequentar a unidade depois de a mudança.
Além do transporte, famílias também apontam problemas na alimentação escolar. De acordo com os relatos, refeições completas não são disponibilizadas todos os dias.
“Como a criança fica cinco horas na escola, sai ao meio-dia e ainda precisa caminhar no sol sem se alimentar direito?”, questiona uma mãe.
Em informe, a Prefeitura de Santa Bárbara d’Oeste informou que a suspensão do transporte escolar para alunos que residem a menos de dois quilômetros da escola fica amparada na Instrução Normativa nº 13/2024 e em resoluções do Governo do Estado, seguindo rigorosamente a legislação vigente.
De acordo com a gestão municipal, de um total de 1.600 alunos atendidos através do transporte escolar municipal, 48 são impactados através da medida.
Ainda conforme com a gestão, entre mais de 50 escolas da cidade, a única unidade impactada é a EMEFEI Anália de Lucca Furlan, no bairro Cruzeiro do Sul.
A prefeitura relatou também que a situação foi previamente informada aos pais, que foram orientados sobre os procedimentos para pedido de acesso ao transporte escolar.
Transporte escolar pode ser suspenso para parte de alunos e mães perguntam falta de diálogo em Santa Bárbara
Com informações de Tododia

