Jonas Daniel Felippe, de 45 anos, tem uma deficiência física que compromete a mobilidade e utiliza cadeira de rodas. Ele é cuidado através da prima, Rosana de Kássia Martins. De acordo com a família, os deslocamentos através do transporte público de Santa Bárbara d’Oeste se tornaram um desafio desde o final de setembro.
Problemas nos elevadores dos ônibus
Rosana afirma que, em algumas situações, os ônibus não param quando Jonas aguarda no ponto. Em outras, o veículo para, mas o elevador usado para permitir o acesso de pessoas que utilizam cadeira de rodas não funciona. Ela descreve um dos episódios: “Eu fui no ponto de ônibus com ele, dei com a mão, passou o ônibus. Eles me deram sinal de que o próximo seria o que eu pegaria. Aí passou o segundo de novo, ele desceu mas elevador não estava funcionando. Eu dei sinal para ele, ele parou e falou para mim: ‘Dona, não está funcionando e não tem o que fazer’.”
Quando o transporte público não consegue atender Jonas, a família recorre a motoristas de App. Segundo Rosana, contudo, também existe dificuldades neste serviço, principalmente quando o condutor é informado de que o passageiro utiliza cadeira de rodas. “E quando a gente não avisa a gente acaba tomando uma bronca quando eles chegam aqui: ‘Você deveria ter avisado’, eles não têm obrigação de ajudar. E a gente tem uma dificuldade muito grande de tirar ele de casa quando eu preciso levar para o banco, resolver alguma coisa. Pra gente, não é uma humilhação, é obrigação da gente. Mas, pelas coisas que vêm acontecendo, acaba sendo uma humilhação. Porque eu falo, ele vai tomar um ônibus, não vai ser de graça, não vai ser gratuito. A gente vai pagar a passagem dele.”
Elevador trava durante embarque
Em vídeos registrados por Rosana, é viável ver uma situação ocorrida em 30 de setembro. Na ocasião, ela saiu através da manhã com Jonas e tentou usar a linha 137, em Santa Bárbara d’Oeste. Segundo ela, o elevador do ônibus não funcionava e o veículo saiu do local.
No mesmo dia, Rosana e Jonas foram ao Terminal Urbano, no Centro da cidade, onde encontraram outro ônibus com elevador em funcionamento. Jonas conseguiu ser colocado no veículo, mas, conforme com a família, o equipamento travou e o embarque não pôde ser concluído.
Rosana relata o que ocorreu: “Até conseguiu colocar ele dentro do ônibus, mas não conseguiu fazer com que o elevador descesse. Aí eu questionei o homem e falei para ele: ‘Isso, para mim, é mais uma prova de que não está sendo feita a manutenção’. Ele ficou quieto e simplesmente tentou resolver a situação.”
O transporte público municipal de Santa Bárbara d’Oeste é operado através da NovaVia Transportes. A tarifa custa R$ 5,90.
Falta de acessibilidade em local de votação
Outra situação enfrentada por Jonas ocorreu no primeiro turno das eleições de 2026. Ele vota na Escola Romana de Oliveira Salles Cunha, no Jardim das Laranjeiras, em Santa Bárbara d’Oeste, na seção 152.
Segundo Rosana, ao chegar ao local de votação, a família descobriu que a seção funcionava no segundo caminhar e que a escola não oferecia condições de acessibilidade para Jonas. Por isso, ele não conseguiu votar.
Rosana criticou a situação: “Acho que é uma coisa gravíssima, uma falta de respeito muito grande, porque ele não foi a primeira pessoa, ele foi a segunda pessoa. A moça falou para mim que ligou lá no cartório, perguntando se ela teria esse tipo de dor de cabeça, e eles falaram que não. Para mim, não sei o que está acontecendo. Ele não morreu ainda. Ele não morreu para estar passando por essa situação. Eu acho que é um desrespeito muito grande.”
Cartório explica regras para seções acessíveis
Em informe, o Cartório Eleitoral de Santa Bárbara d’Oeste informou que a 186ª Zona Eleitoral tem mais de 140 mil eleitores, distribuídos em 39 locais de votação no município.
Conforme o cartório, dez escolas foram vistoriadas previamente e oferecidas como locais acessíveis para atender eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida. Para votar em uma seção acessível, o eleitor precisa procurar a Justiça Eleitoral e pedir a transferência da inscrição.
Ainda segundo o cartório, o cadastro eleitoral fica fechado nas eleições de 2026 e, por isso, não é viável alterar a seção para o segundo turno. O cadastro será reaberto depois de o encerramento do processo eleitoral, no mês de novembro. A contar de então, o eleitor conseguirá procurar o Cartório Eleitoral para pedir a transferência para uma das seções acessíveis da cidade, conforme as regras e os prazos vigentes.
A Prefeitura Municipal de Santa Bárbara d’Oeste e a empresa responsável através do transporte municipal foram procuradas através da reportagem. A nota será incluída depois de o retorno.
Com informações de Tododia


